No final de maio, durante evento em Salvador, a Federação Nacional de Associações de Paciente e de Combate à Osteoporose (FENAPCO) lançou campanha nacional para chamar a atenção de autoridades e população em geral sobre a doença. Segundo a presidente da FENAPCO, Suely Roitman, a ideia é levar informação sobre osteoporose para a população, de forma clara e simples. “Precisamos levantar a discussão dessa doença que já é considerada uma epidemia silenciosa.”
Através da campanha, a federação pretende conversar com grupos de apoio a pacientes, profissionais da área da saúde, como fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, professores de educação física, etc. A instituição quer ainda incrementar a sua programação de debates e seminários a respeito da doença. E também elaborar material informativo para distribuição. Como primeira peça da campanha, foi lançada a revista Equilíbrio para uma vida melhor, com edição totalmente dedicada à osteoporose.
No evento da capital baiana, foram divulgados pela primeira vez os resultados de pesquisa realizada pelo geriatra soteropolitano Antônio Carlos Silva Santos Jr. Ele avaliou o uso do hormônio da paratireoide na recuperação da massa óssea em pacientes com osteoporose avançada atendidos pela Secretaria Estadual da Saúde da Bahia. Essa pesquisa só pode ser realizada em Salvador, porque a Bahia é um dos únicos estados brasileiros que possui protocolo de dispensação do medicamento Teriparatida. Isso significa que os pacientes com osteoporose grave não precisam ingressar na Justiça para obter o medicamento, ao contrário do que ocorre na maioria dos estados. A Bahia oferece o medicamento hoje a cerca de 300 pacientes mensalmente. O Rio Grande do Sul, por exemplo, onde os pacientes só conseguem a Teriparatida depois de uma peregrinação judicial, no último mês de março, 27 portadores de osteoporose avançada foram atendidos.
Segundo a presidente da FENAPCO, não é preciso esperar que apareçam casos de osteoporose avançada para procurar ajuda. “A doença pode ser combatida, quando prevenida, e tratada antes que ocorra a primeira fratura. A osteoprosose atinge, em alguma fase da vida, uma a cada três mulheres e um em cada cinco homens.” Segundo dados do último censo brasileiro, a população do país é de 170 milhões de habitantes, sendo que 51 milhões estão acima de 55 anos. Segundo o reumatologista Rubem Lederman, representante brasileiro na Federação Internacional de Osteoporose (IOF, sigla em inglês), desse total, 15 milhões são portadores de algum tipo de osteoporose.
Lederman afirma que 75% dos pacientes com osteoporose no Brasil são diagnosticados. Desses, 45 a 50% recebem tratamento. “Essa defasagem ocorre devido ao alto custo dos medicamentos e também pela falta de uma maior conscientização da própria classe médica para o problema.” Conforme o reumatologista, que já foi presidente da Sociedade Brasileira de Osteoporose, a prevenção deve estar presente por toda a vida e começar o mais cedo possível. “Apesar de a osteoporose ser conhecida como uma doença da terceira idade, a prevenção deve iniciar-se já na infância.” Crianças, a partir dos cinco aos oito anos, devem aumentar o consumo de alimentação rica em cálcio à base de leite e derivados como a vitamina D, presente no sol, que potencializa a ação do cálcio. “É nesse período da vida que se deve fazer um bom volume de massa óssea. A criança precisa também realizar exercícios físicos regularmente para desenvolver ossos fortes e sadios.” Lederman é também presidente executivo da FENAPCO.
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