Em audiência em Salvador, o governador da Bahia, Jaques Wagner, recebeu na terça-feira (4 de agosto) a presidente da Federação Nacional de Associações de Pacientes e de Combate à Osteoporose, Suely Roitman. O encontro foi solicitado pela FENAPCO na intenção de parabenizar o Governo pelo que a Bahia vem fazendo pelos pacientes com osteoporose grave.
A Bahia é o estado brasileiro pioneiro da distribuição do hormônio da Paratireoide, a Teriparatida. Pacientes da Bahia com osteoporose avançada não precisam recorrer à Justiça para ter acesso ao medicamento. A Teriparatida é considerada a única eficaz para recuperação dos doentes em estado crítico e repassada, na Bahia, através do Sistema Único de Saúde (SUS), sem a necessidade de o paciente entrar com processo judicial, como acontece em outros estados.
Em Salvador, o medicamento é distribuído no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) e no Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (Creasi). No interior, são quatro postos de distribuição, localizados nas cidades de Jequié, Vitória da Conquista, Amargosa e Guanambi. Para ter acesso ao remédio, basta estar cadastrado nos protocolos do Creasi.
"É um atendimento realmente diferenciado que só acontece aqui na Bahia, por isso, gostaríamos de levar esse projeto daqui como modelo para outros estados, já que no Brasil inteiro nós temos problemas com essa doença crônica", disse a presidente da FENAPCO.
O secretário de Saúde da Bahia, Jorge Solla, que também participou da audiência, explicou que a distribuição do remédio foi incorporada ao protocolo do SUS baiano devido a uma pesquisa inédita realizada por médicos baianos. "Os resultados positivos da utilização do remédio evidenciaram que, mesmo de alto custo, a medicação evita gastos ainda maiores do estado com internações e cirurgias, já que a maioria dos pacientes é idosa e acaba sofrendo uma série de fraturas", assinalou o secretário.
Estatísticas
De acordo com Solla, a Bahia possui nove mil pacientes com quadro de osteoporose. Deste total, 353 fazem uso de Teriparatida. "Cerca de 7% dos gastos públicos com medicamentos de alto custo são destinados a esta medicação. Em 2008, investimos mais de R$ 4 milhões na aquisição do remédio, mas economizamos muito mais".
Pesquisa pioneira amplia protocolo do medicamento
Com coordenação do geriatra Antônio Carlos Silva Santos Jr, o estudo apontado por Solla como responsável pela incorporação da Teriparatida no protocolo do SUS foi o primeiro realizado no país num serviço público de saúde. O objetivo foi avaliar as alterações na densidade óssea de 37 pacientes com osteoporose altamente agressiva, após um ano de utilização contínua do medicamento.
"O resultado foi animador. Nenhuma das pessoas apresentou novas fraturas e vimos um ganho da densidade óssea", comentou o geriatra. Segundo o médico, o medicamento não é para uso indiscriminado, sendo aconselhado apenas quando as demais possibilidades de tratamento forem esgotadas.
"Além disso, a Teriparatida só pode ser utilizada por dois anos, depois disso os efeitos podem se reverter. Por isso, os pacientes devem continuar com remédios para controle da doença que, apesar de não ter cura, pode ser facilmente controlada quando descoberta antecipadamente", completou.
Aos 68 anos, Zélia Carvalho foi uma das pessoas que participaram da pesquisa e também esteve na audiência com o governador Jaques Wagner. A aposentada estima que há dez anos convive com a doença, descoberta já em estágio avançado por conta de crises de dor. "Meu tratamento com a Teriparatida terminou no ano passado, mas desde as primeiras aplicações já comecei a notar a diferença. Hoje, eu me exercito, caminho e faço diversos movimentos que até então a dor não permitia", contou Zélia.
"A melhoria na qualidade de vida da terceira idade recompensa os investimentos do estado. Às vezes queremos poupar com medicamentos como esse e acabamos gastando mais com internações e UTI. É bom ver uma pessoa que melhorou depois da medicação e acredito que uma vitrine como esta já contribui com a evolução do combate à osteoporose em todo país", destacou o governador baiano.
Durante a audiência, também o governador também foi informado de que na Bahia está em processo de criação a Associação Bahiana de Pacientes e de Combate à Osteoporose (Abapco). A instituição nasce nos mesmos preceitos da FENAPCO. Ela surge para mobilizar a sociedade como um todo. E também para ampliar a difusão de informações sobre a osteoporose, do diagnóstico ao tratamento, criando mecanismos para gerar mudanças no sistema de saúde da rede pública e privada. A Abapco realizará campanhas de prevenção em todas as faixas.

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